“Directamente” para a História!

O Partido Socialista aprovou hoje, em reunião da Comissão Nacional, alterações aos seus Estatutos, no sentido de a escolha dos deputados à Assembleia de República e dos candidatos autárquicos ser feita por voto direto dos militantes de base.

Embora possa parecer de menor importância, entendo que foi dado um passo gigantesco para melhorar a qualidade da democracia interna do PS e, consequentemente, do País! Em Portugal, tornamo-nos pioneiros nesta matéria, sendo de prever que outros partidos sigam o exemplo. Não tenho qualquer dúvida que é o caminho certo para promover uma participação acrescida dos mais qualificados.

Quero crer ainda que, de agora em diante, os militantes terão outra sensibilidade e atenção nas escolhas que vão fazer. Da comparação entre o “antes” e o “depois”, salta à vista o acréscimo de importância e responsabilidade que cada um passará a ter:

Antes: o processo de escolha dos candidatos à AR começava com a eleição, pelos militantes, da Comissão Política Distrital – cujos elementos desconheciam praticamente na íntegra – e a quem era submetida, posteriormente, uma lista de nomes para aprovação ou rejeição, já após uma série de “negociatas” feitas nos corredores, cafés, restaurantes ou até em sítios menos recomendáveis (refiro-me, como é óbvio, a concertos do Toy ou do Nel Monteiro…).

Depois: os militantes saberão, antes de votar, quem se propõe ser candidato a representá-los na Assembleia da República, quais as suas propostas, as suas motivações e o seu curriculum, podendo decidir eles próprios quem preferem.

Sempre defendi que a alegada falta de qualidade da nossa classe política não estava propriamente relacionada com a falta de qualidade dos nossos políticos, mas antes com a falta de transparência das escolhas feitas no interior dos principais partidos com assento na Assembleia da República e nas Autarquias.

Orgulha-me que o PS tenha sido capaz de afirmar desta forma a sua matriz democrática, impulsionado pela firmeza e coragem do seu atual Secretário-Geral, António José Seguro.

É conhecida a opinião de alguns “profetas da desgraça” acerca do futuro de AJS no PS. Dizem que é um líder de transição, sem qualquer hipótese de se tornar Primeiro-Ministro. Caso me perguntem se concordo com a sua postura, em todos os momentos, direi que não… Mas concordo a maioria das vezes e sou capaz de entender as condições particularmente difíceis em que exerce o seu mandato.

Se o destino der razão aos profetas da desgraça – algo que desejo profundamente não se verifique -, sei que AJS sairá de cabeça erguida, ao mesmo tempo que a minha se curvará perante a coragem que demonstrou em romper com o “status quo” e “fazer o que ainda não havia sido feito.” – Já dizia Fernando Pessoa que “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”

Já agora, por falar em “antes” e “depois”, sempre se dirá que “Liderar não é tanto uma questão de mão pesada mas mais de assento firme.”

Agora, para nunca ficar dependente da política, vou comer uma “sandocha” de paio e – embora seja fim-de-semana – voltar ao trabalho. (…) Regressei da cozinha e temo que tenhamos ficado “sem paio” cá em casa. Tranquilo… haverá sempre fiambre!

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