O Meu Partido Socialista, por Hugo Gonçalves

 

Sairemos mais ricos desta crise, mas continuaremos os mesmos pobres de espírito?

 

O descrédito a que se vota a política e os partidos políticos, esquece que o demérito é, em igual medida, das pessoas que a fazem e daquelas que se abstêm de participar.

 

Culpados os que não agem eticamente, culpados os que acreditam que este é um jogo que pode ser assistido da bancada lateral, vociferando algumas críticas de treinador de bancada, descarregando as suas frustrações.

 

Fazemos política nos nossos grupos de jovens, nas escolas e associações de estudantes e até no teatro ou na música.

 

Fazemos política quando votamos, quando fazemos voluntariado.

 

Fazemos política quando acreditamos no altruísmo como essencial para a realização pessoal.

 

Culpar os partidos e os políticos é apenas um álibi para o nosso conformismo!

 

O Socialismo Democrático e o Partido Socialista corporizam as ideias onde revejo com maior aproximação o meu pensamento político, livre, espontâneo e independente.

 

Entre a idealidade e o pragmatismo, o país necessita de um PS fiel aos seus valores e princípios, que saiba estar à altura na discussão e na acção e que saiba mobilizar e motivar, talvez o maior desafio dos nossos tempos.

 

Presumo que seja suposto falar do memorando da Troika e de como o PS deve fazer uma oposição construtiva e responsável, respeitando os seus compromissos.

 

Prefiro fazer um outro exercício de prognose. Como agirá o PS quando for chamado, por exemplo, a:

 

– Discutir medidas concretas de prevenção e de mudança de mentalidade em matéria de Corrupção?

– Promover a Cultura e o Desporto nas escolas, que arrumam a questão com aulas de Educação Musical e Física, em vez de promoverem a actividade extracurricular por escolha e aptidão pessoal?

– Como atacará a morosidade da Justiça, as pendências processuais e o corporativismo das classes jurídicas?

– Como lutará, com todas as forças, pela Escola Pública e Serviço Nacional de Saúde? Criações imperfeitas mas que devem ser continuamente trabalhadas, nunca abandonadas.

– Que propostas concretas existem para a Agricultura e o Mar, para o Turismo e para o aproveitamento diplomático das ligações históricas privilegiadas?

– Conseguirá transmitir a necessidade de aprofundar a integração na UE, rumo ao federalismo económico e a políticas realmente globais num mundo que irremediavelmente seguiu esse caminho?

 

Talvez seja correcto afirmar que o português recebeu como herança pesada do regime salazarista, a aceitação da inevitabilidade do discurso político e a falta da necessidade de pensar pela própria cabeça.

 

Se aproveitamos este tempo para consolidar as contas públicas, não deixemos passar a oportunidade de operar uma mudança de mentalidades e dignificar a intervenção cívica e política.

 

A responsabilidade de ser mais exigente, a ambição de fazer mais e melhor, a participação cívica é dever de todos e não é privilégio de ninguém.

 

Nos partidos, nas escolas, no trabalho, na sua comunidade, na sua cidade, no seu país!

 

Esta minha reflexão é curta em orientações políticas, mas antes de saber que caminho seguir é preciso reunir os caminhantes que acreditam num melhor porvir.

 

O meu Partido Socialista é antes de tudo um ponto de encontro.

 

Agradeço a honrar de ser convidado a participar neste espaço, sob o tema o meu Partido Socialista.

E aceitei o desafio pela ambição que é promover os partidos políticos, não de uma perspectiva clubista, mas como espaços dinâmicos de discussão, que todos os dias se constroem e que aceitam que é do debate e das diferenças que nascem as soluções.

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Da série de artigos “O Meu PS”, escritos por amigos, militantes da Juventude Socialista e/ou do Partido Socialista, que acederam ao nosso convite para reflectirem sobre o presente e futuro do PS.

Hugo Gonçalves é Mestrando em Ciências Jurídico-Políticas, Ex-Presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, Advogado Estagiário e simpatizante do Partido Socialista.

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