Um Tiro no Pé do Partido Socialista

 

As notícias da manhã caem como um murro no estômago. António José Seguro declara à TSF que as probabilidades do Partido Socialista votar contra o Orçamento de Estado de 2012 são nulas. “Se quer que diga, é de 0,0001%”, declarou taxativo ao programa Fórum TSF.

 

Estando o Orçamento de Estado ainda a ser discutido e a sua conclusão adiada pelo Conselho de Ministros (mau prenúncio!), já são conhecidas as suas principais linhas de orientação. E não se vislumbra alguma que justifique uma recusa tão peremptória da sua desaprovação. O Orçamento de Estado de 2012 vai incluir uma redução do investimento público na Educação na ordem dos 600 milhões de euros, o triplo do montante previsto pelo memorando assinado com a Troika. Só esta medida justificaria plenamente um voto desfavorável do Partido Socialista. Ainda para mais, quando não perturba minimamente a governação da coligação, suportada por uma maioria absoluta parlamentar.

 

Nos outros domínios fulcrais, a Saúde perde 810 milhões de euros (sobre este corte, Carlos Zorrinho afirmou não ser “a filosofia do ajustamento estrutural preconizado pelo PS”) e a Segurança Social perde 205 milhões de euros. É tão-somente o capítulo final do Estado Social em Portugal.

 

Não querendo dizer que ainda não venham a existir, não se conhecem medidas no sentido do incremento e competitividade da economia nacional. Álvaro Santos Pereira está, para efeitos práticos, fora de jogo. Também não se conhecem medidas que sintonizem com as actuais tendências Europeias e Norte-Americanas, no sentido da taxação da actividade financeira, grandes fortunas ou propriedades.

 

E, na “melhor” das hipóteses, o Partido Socialista vai-se abster perante o Orçamento de Estado de 2012. Opta por não optar sobre o documento orientador das políticas públicas do próximo ano. Como disse anteriormente, com a abstenção sobre um Orçamento de Estado, o Partido Socialista está somente a abster-se de ser alternativa à coligação PSD / CDS-PP. Será a auto-declaração de irrelevância política e da ausência de uma proposta divergente para os rumos do País.

 

Na pior das hipóteses, o Partido Socialista ainda pode votar favoravelmente o Orçamento de Estado. E, se a abstenção é tiro no pé, o voto favorável será harakiri político. Como é que não é esta a opção imediatamente colocada de parte, enxotada com as 0,0001% de probabilidades? Particularmente, depois do recém-empossado secretário-geral António José Seguro ter declarado ao XVIII Congresso Nacional do Partido Socialista:

 

“E quero fazer um apelo muito claro a todos aqueles que partilham os valores da esquerda democrática, do socialismo democrático e da social-democracia, e que entendem que os alicerces do estado social estão a ser postos em causa: juntem-se a nós na criação deste novo projecto. A todos aqueles que entendem a importância do Estado Social como factor decisivo na promoção dos valores da liberdade, da igualdade, da solidariedade e da justiça social.”

 

A concretização destas declarações passa pelo voto contrário ao Orçamento de Estado de 2012.

Anúncios