O Meu Partido Socialista, por Rita Rola

 

Bem, como o tempo sempre urge e, na política, não é excepção, penso que a forma mais simples de começar por esboçar o meu sentimento socialista é da forma mais clara que conheço: com palavras. Palavras estas, que a sua utilização poderá ferir as linhas pouco claras do pensamento, pouco ou nada estruturado para o verdadeiro poder da palavra política. E, sendo assim, o importante é sabermos o que realmente defendemos e quais os tipos de luta que somos capazes de enfrentar.

 

A política mundial sofre e tenderá a sofrer ainda mais, com o descrédito. Em Portugal não é, nem será, excepção se mantiver a mesma postura. Vemo-nos assim num enorme impasse à evolução, tanto social como económica e, no seu geral, o que nos resta é a ajuda ou, melhor, a inter-ajuda, como uns defendem e outros repudiam, mas que o povo aceita.

 

No momento actual, onde a austeridade espreita e a benevolência continua, o melhor mesmo é continuarmos com a luta socialista, a “tal” que nos tem e nos tenderá a marcar para sempre. Não falo da luta socialista do hoje, não menosprezando o momento actual, claro. Mas, refiro aquela que, outrora, saiu à rua mostrando o que de melhor a palavra liberdade designa; o que de melhor a euforia e a vontade de mudança alcançam e, na minha mais humilde vontade, o que ainda iremos alcançar.

 

Acho que este seria o momento ideal ou oportuno, como o queiram chamar, para revigorar o sentimento socialista, contínuo e sólido, claro e capacitado. Sentimento este que os Portugueses, até há pouco, abraçaram e que continuarão a abraçar, se formos capazes de assumir o nosso passado, tão ou mais vitorioso. Não apaguemos o passado, pois é desse mesmo, que construiremos o presente socialista. Presente no qual espero mais luta, mais dinâmica, mais vigor, mais espírito de bravura e luta política e a capacidade de assumir responsabilidades, o que há muito não se tem notado na política em geral.

 

O Partido Socialista não se encontra em tempos fáceis, e ansiamos pelas vitórias, que tardarão se apenas nos mantivermos em rasgos políticos. Pedimos um socialismo forte, determinado, estruturado com políticas da essência socialista de que, com muita pena minha, muitos já não se recordam.

 

Assumiremos possíveis erros do passado e rumemos a um futuro com uma liderança capaz de assumir uma oposição convicta do trabalho socialista, feito até então. Marcando uma continuidade, mas adaptando-a a novas necessidades e é na sua clara consciencialização que voltaremos a fazer história.

 

Os Portugueses são um povo de grandes costumes, um povo que reconhece que melhor não poderíamos ter sido feito, que os socialistas de tudo fizeram para minimizar os efeitos da grande crise económica e social da Europa. Por outro lado, o actual governo mostra, a cada dia que passa, menos capacidade em assumir o acordo pelo qual também se responsabilizou, firme na ousadia de o esmiuçar, agravando em muito o bem-estar de milhares de cidadãos portugueses.

 

Sendo eu, apenas uma simpatizante socialista, mas respirando socialismo há algum tempo, penso que a coragem e veracidade política constituirão agora a fórmula mais capaz para enfrentarmos os tempos de oposição, que não serão fáceis, é certo, mas que o Partido Socialista irá ultrapassar. Pois, que o memorando da Troika não é um livro sagrado, mas sim um guia prático orientação.

 

Foi com imenso gosto que aceitei o convite do meu prezado amigo Frederico Guilherme para escrever estas palavras.

 

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Da série de artigos “O Meu PS”, escritos por amigos, militantes da Juventude Socialista e/ou do Partido Socialista, que acederam ao nosso convite para reflectirem sobre o presente e futuro do PS.

Rita Rola é militante da Juventude Socialista de Vila Nova de Gaia.

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