O Meu Partido Socialista, por Marco Ferreira

 

Serviço nacional de saúde. Escola pública. Adesão à Europa.

Soares, Sampaio, Guterres, Sócrates.

Democracia e liberdade. Esquerda progressista.

 

Não se “é” nem se “gosta” de um partido: acredita-se numa ideologia e ama-se um país. E acredito na ideologia do Partido Socialista pelo que apregoa e pelo que executa, pelos seus líderes e suas lideranças, pelos seus valores e suas causas, pelo seu projecto de um Portugal mais solidário, fraterno e promotor da igualdade.

 

Existiu sempre uma tendência para distinguir a esquerda impossível da esquerda possível. O PS é a esquerda que faz. E olhando para a história da nossa democracia foi sempre o PS o precursor das grandes reformas que atribuíram a Portugal algumas das suas marcas positivas distintivas de um país que em 35 anos conheceu uma extraordinária evolução rumo à diminuição de distancias entre classes sociais e à promoção de oportunidades iguais para todos.

 

Em 74, Portugal era um país longe de pertencer ao mundo desenvolvido. Não existia um estado que providenciasse educação e cuidados de saúde para todos. Hoje existe uma escola pública preparada para corresponder a toda a população e que corresponde aos padrões do mundo moderno. E Portugal evolui também por causa disso.

 

Na saúde, temos um dos melhores serviços de todo o mundo. Existe um caminho de racionalização que começou a ser percorrido a meio da última década e deve continuar, mas qualquer acção que degenere a qualidade deste serviço será um passo para acentuar diferenças sociais e retirar o estado do seu papel fundamental de prestar garantia aos que se vêm acossados pelo infortúnio.

 

E na definição do papel de Portugal na Europa, é o PS que se assume como um partido europeísta, baluarte de uma união europeia com projecto e objectivos comuns, capaz de ser incremento no derrube das desigualdades entre uma Europa central e uma Europa periférica. E nos tempos actuais bem compreendemos o que uma Europa virada à direita significa: a inacção capaz de colocar em causa um projecto que aproximou povos e contribuiu para o fortalecimento desta região do globo nos aspectos económicos, sociais e interrelacionais.

 

Estas são marcas de um partido que tem efectivamente um projecto consolidado para uma nação, que tem um ideal de sociedade e de compromisso entre eleitos e eleitores. Mas se estas são marcas de um passado recente, a verdade é que esses méritos passados de nada valem ao país se, no presente, o PS não apresentar uma proposta consistente na defesa do interesse dos cidadãos e da nação.

 

Também de nada vale que tenha sido o PS, ao longo das décadas, a não sobrevalorizar o papel da “mão invisível” que guiaria, supostamente, os mercados para o equilíbrio, e colocaria a economia ao serviço das pessoas. Algo que esta crise mostra é que o ideal de direita de exacerbado liberalismo económico apenas conduz a que economia se volte para os interesses económicos, virando costas ao bem-estar das populações.

 

O papel do PS no contexto económico e político actual só pode ser de defender o prelado das pessoas sobre os mercados. Não há austeridade(s) que conduzam o país ao crescimento, não há austeridade que crie emprego e condições de desenvolvimento da economia. A defesa do rigor e da transparência nos gastos públicos é um valor insofismável, mas o propalar deste valor não pode justificar uma politica que inferioriza o bem social.

 

Este é o papel actual do PS. Sempre foi este o papel do PS. O papel de arrojo, o papel da procura da resposta europeia concertada, o papel de colocar as pessoas em primeiro lugar.

 

Na construção deste caminho, desta ideologia e deste projecto, o PS distingue-se também pelos nomes que o lideraram. É bem verdade que os líderes passam, e o PS fica. Mas o PS também fica com a história dos seus líderes. Aos nossos líderes correspondem grandes reformas e avanços estratégicos para o nosso país. Com o bom Guterres, entrámos no Euro e assistimos a uma actualização de políticas voltadas para a educação e para a formação, contrariando a política do betão – e do “bastão” – do antecessor Cavaco Silva. Temos José Sócrates, o mais progressista dos primeiro-ministros portugueses que encetou reformas adiadas por décadas, mudando o paradigma económico e produtivo português e enfrentando uma das maiores crises dos últimos 100 anos com a coragem de não seguir caminhos facilitistas que destruiriam alguns dos pilares da nossa democracia e do nosso progresso enquanto país. E o histórico Mário Soares, a maior figura do século XX português, proa da democracia e da liberdade, dianteiro da integração europeia, da modernização económica e da estabilidade nacional. O PS pode ter orgulho, muito orgulho, dos seus líderes e das suas referências.

 

Qualquer ideologia democrática é passível de aceitação e de participação no debate político. As ideologias defendem-se, argumentam-se. Depois existem os partidos. Alguns que flutuam nas suas frágeis convicções, navegando ao sabor dos calendários eleitorais, ou guiando-se pelas suas lideranças de ocasião. E existe o PS. O Partido Socialista dos valores e das convicções é aquele que melhor está preparado para, nos momentos decisivos, dar uma resposta real às reais necessidades do país. Sempre foi assim. Assim continuará, mesmo cometendo erros ou omissões, na certeza da procura de fazer o melhor ao serviço de Portugal.

 

O PS, tal como Portugal, tem um caminho a percorrer. E estou certo que a proximidade desses caminhos corresponderá a um país melhor, onde as pessoas estão primeiro lugar.

 

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Da série de artigos “O Meu PS”, escritos por amigos, militantes da Juventude Socialista e/ou do Partido Socialista, que acederam ao nosso convite para reflectirem sobre o presente e futuro do PS.

Marco Ferreira é Coordenador Concelhio da Juventude Socialista da Trofa.

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