O Meu Partido Socialista, por Susana Teixeira

 

A história do Partido Socialista confunde-se com a história da conquista da democracia, do progresso e da modernização do nosso país. Contudo, o Partido não conseguiu acompanhar a rápida evolução dos tempos e surgiram falhas que causaram um distanciamento entre classe política e o comum cidadão.

 

A somar a este facto, verificamos que a grave crise económica que a Europa atravessa fez crescer a expressão dos partidos de direita, como forma de retaliação. E Portugal não foi excepção. O Partido Socialista encontra-se agora como oposição, com a sua imagem descredibilizada e perante o descontentamento cada vez maior dos portugueses.

 

No entanto, a meu ver, há um factor positivo (e preponderante) que prevalece. Todas as perdas eleitorais não aconteceram por fortes convicções ideológicas de Direita mas, sim, por descontentamento com a Esquerda. Este facto faz com que o Partido Socialista tenha agora uma oportunidade para reflectir, acertar a sua estratégia e renovar-se.

 

Ser oposição é o melhor intervalo para reconhecer os erros e proceder a uma profunda renovação e modernização. O Partido precisa de reorganizar o seu funcionamento, as suas práticas e a sua imagem. Precisa de abrir-se à sociedade, recuperar valores e adaptar-se às exigências dos novos tempos. Está na hora do Partido Socialista construir uma política diferente e contribuir para uma profunda reforma no sistema político.

 

Este é o momento para a autocrítica. É necessária a recuperação de valores colectivos, a fomentação da discussão e a luta ideológica. Há falta de concorrência, de supervisão, de actualização e de constante formação. É importante que o partido tome uma nova postura, e crie proximidade com a sociedade. É necessário combater a ideia de que a classe política está afastada dos cidadãos. Só assim será uma forte oposição.

 

Creio que esta mudança não é difícil, se for executada por um esforço colectivo. Eu acredito num novo Partido Socialista, acredito que poderá mudar se aproveitar os novos meios tecnológicos, os recursos humanos qualificados que fomentou e expor-se de forma coerente e com uma unidade consistente. Apenas desta forma terá condições de se apresentar novamente como a voz dos portugueses.

 

Como socialista que sou, sinto que a maior luta, a curto/médio prazo, será esta reorganização, ao mesmo tempo que tentaremos segurar o nosso maior investimento – o Estado Social. Mas é um esforço necessário. Não apenas pelo próprio partido, mas porque a falta de um partido de Esquerda no Governo põe em causa todo o trabalho dos últimos anos em prol da evolução e do desenvolvimento do país.

 

Portugal precisa do Partido Socialista, e este não é um partido de oposição, é um partido de liderança.

 

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Da série de artigos “O Meu PS”, escritos por amigos, militantes da Juventude Socialista e/ou do Partido Socialista, que acederam ao nosso convite para reflectirem sobre o presente e futuro do PS.

Susana Teixeira é militante da Juventude Socialista de Matosinhos.

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