O Meu Partido Socialista, por Catarina Lobo


Nasci na década de 80 e o Partido Socialista é o “meu” partido desde que tenho consciência da minha existência enquanto pessoa. Não direi que nasci socialista, mas respirei socialismo desde que nasci. Como há quem diga que nós somos o ar que respiramos, cá sou eu Socialista.

Ao longo do meu crescimento, percebi que a política e, consequentemente, os partidos políticos são palcos privilegiados do exercício de uma cidadania activa. Percebi que fora deles é muito difícil servir, de forma ampla, a sociedade em que vivemos. Mas também percebi que nem todos os que militam num partido político têm a mesma concepção sobre o significado de “servir” e nem sempre distinguem o “servir” do “servir-se”.

Apesar disso, acredito que os militantes socialistas comungam de uma mesma visão do mundo e da sociedade: uma visão convergente com a declaração de princípios do PS, que assenta em pilares tão basilares como a Liberdade, a Democracia representativa e pluralista, a Justiça Social e a Igualdade de Oportunidades. E este é o PS que eu quero: um PS fiel aos seus princípios, que não se desvia, que não se deixa contaminar, que não flutua ao sabor dos ventos e das marés, que é coerente, que revela sentido de responsabilidade, que é solidário e que defende as pessoas, colocando-as em primeiro lugar. Um PS que é feito de pessoas para as pessoas.

É fundamental também que o PS se modernize, se actualize, que saiba ler e interpretar a realidade que o envolve: a realidade nacional, europeia e mundial. Um PS capaz de responder às exigências de uma sociedade em constante mudança, com espírito de abertura, capacidade de diálogo e sem medo da novidade ou da renovação. Um PS próximo dos seus militantes, que os valorize, que os escute, que lhes dê mais espaço para participar, que não desperdice todo o capital humano que possui, um capital humano cada vez mais qualificado e exigente.

É este o PS que ambiciono. É esta a minha utopia. É este o meu sonho. É, sobretudo, esta a minha esperança, que saiu renovada no Congresso do PS de 9, 10 e 11 de Setembro, em Braga, particularmente na sua sessão de encerramento. Pelo novo líder, pelo novo discurso, pelos novos rostos, pelos novos protagonistas, pelo novo ciclo que se avizinha e que eu desejo que passe das palavras para a acção!

Tenho saudades do PS que conheci quando era pequenina. Tenho vontade de voltar aos comícios do “antigamente”, em que me arrepiava com o discurso, com o ambiente, com a vibração das pessoas perfeita e genuinamente identificadas com o Partido, com os seus líderes, com a sua acção política! Acredito que o PS, sendo humilde, reconhecendo os erros do passado e aprendendo com eles, será capaz de se reconstruir e reerguer para se colocar de novo ao serviço do povo e do país. Porque o nosso país precisa do PS e do seu capital humano, mas de um PS efectivamente socialista, verdadeiramente solidário e seriamente comprometido com o povo português!

Vivemos tempos difíceis, muito difíceis. Há quem designe estes tempos por “crise”. Não é mau que assim seja, desde que vejamos a crise como oportunidade de desenvolvimento e não como sinónimo de impossibilidade ou fatalidade. É nas crises e perante as dificuldades que todos nós percebemos a necessidade de lutar por algo melhor. O PS, como grande Partido da Esquerda Democrática, deverá ser o protagonista desta luta, em prol do país e das pessoas. Como diria um camarada socialista que muito admiro, Manuel dos Santos, “não podemos ajoelhar” e o PS não pode ajoelhar-se perante aquilo que é o esmagamento da classe média e a clivagem cada vez mais acentuada entre ricos e pobres. Nenhum socialista pode dormir descansado com a taxa de desemprego crescente que o país apresenta e com todos os projectos de vida dos jovens que estão permanentemente a ser adiados para um futuro que demora a tornar-se presente.

Sou Socialista e não durmo descansada com esta realidade.

Sou Socialista e alimento a esperança e a convicção de que com este novo ciclo seremos capazes de fazer mais por Portugal e pelos Portugueses, na oposição e quando formos governo.

______________________________________________________________

Da série de artigos “O Meu PS”, escritos por amigos, militantes da Juventude Socialista e/ou do Partido Socialista, que acederam ao nosso convite para reflectirem sobre o presente e futuro do PS.

Catarina Lobo é militante do Partido Socialista de Ermesinde, Valongo e Dirigente Concelhia do PS Valongo.

Anúncios