O Meu Partido Socialista, por André Lopes

 

Tendo nascido no final dos anos 80, o meu Partido Socialista não poderia ser puramente aquela estrutura partidária tão virada à esquerda como o foi logicamente na sua fundação. É sim um PS inserido num mundo competitivo e globalizado, é o partido de um povo Europeu, que continua e bem, defendendo as causas sociais, com políticas e ideais que visam a correcção de toda e qualquer desigualdade, sem radicalismos e com uma consciência progressista, reformadora, adequando-se à contemporaneidade.

 

Um grande partido como o PS, tem indubitavelmente de continuar a defender o nosso Socialismo Democrático e Moderno. Mas a modernidade tem um preço, o preço da adaptação e da proximidade às pessoas para a constante renovação etária e ideológica, sem esquecer o esquerdismo mas visando sempre o globo no qual estamos enquadrados.

 

Do grande partido da Esquerda Democrática, deve-se esperar uma forte união entre camaradas Europeus, que permita desenvolver uma União Europeia fortemente liderada politicamente, com capacidade de intervenção claramente superior à capacidade de improviso. Não podemos mais continuar a estar inseridos numa UE desunida, ou apenas unida economicamente servindo os interesses das suas superpotências. A União Europeia, não pode mais servir para alimentar egos europeus nem para o show-off que é a montra de um PIB conjunto superior ao de todos os países do mundo. Principalmente em tempos de crise, as pessoas têm de estar primeiro, com políticas de emprego e de crescimento económico que permitam a prosperidade e sustentabilidade. Só assim se garante o socialismo e só assim se garante a continua evolução demográfica, permitindo uma segurança social sustentadora dos mais idosos, uma das nossas grandes bandeiras.

 

Cabe ao nosso partido, em comunhão com os restantes partidos socialistas europeus o desenvolvimento de políticas que visem o aumento da união em tempos como aos que assistimos. Não faz sentido que por exemplo se continuem a efectuar limites à produção no nosso país impostos pela UE quando tudo o que precisamos neste momento é de soltar a nossa economia. Não faz sentido que não se facilitem mecanismos como a emissão de eurobonds quando é neste preciso momento que o factor união tem de se impor. O PS do “Nós Europeus” tem que dar provas na Europa, para que no futuro tal como agora na Dinamarca, haja uma viragem estável à Esquerda, uma viragem na qual não hajam limites para servir as populações ao contrário do serviço às entidades bancárias.

 

A democracia em Portugal, está nas ruas da amargura. É necessário que o nosso PS desenvolva a abertura à sociedade e se aproxime dos cidadãos. Não faz sentido que um secretário geral no PS seja eleito com cerca de 27 000 votos com percentagens acima dos 90% e hajam manifestações com mais de 300 000 pessoas nas ruas. Enquanto não houver uma renovação etária, o estigma democrático português continuará nesta senda de políticos do tempo da ditadura, com políticos que olham para a política como um mar de interesses singulares, e profundamente focalizados na obtenção do poder governativo. Um dos factores mais irritantes dos partidos, é o facto de se manterem à sombra da governação quer de autarquias quer do Estado, quando os seus líderes são para tal elegidos. Os partidos políticos têm de continuar a manter activos todos os seus orgãos quer nacionais quer sectoriais permanentemente, sem perderem autonomia nem vida própria, para que não fiquem marginalizados pelos seus próprios líderes que por vezes deixam os militantes ao abandono, sem espaço para participarem activamente na política. Um partido político democrático e plural, tem que manter a pujança participativa, independentemente dos cargos que os seus líderes ocupam, criando propostas, críticas e sugestões, aproximando-se e ouvindo sempre a sociedade! Mais que a unidade, importa a pluralidade, o incentivo à cidadania bem como a permanente discussão conjuntural, pois tudo isto tem um grande lucro que se reflete na qualidade governativa. Esta é visão que todo e qualquer partido deve ter, mais ainda o Partido Socialista!

 

Dos próximos membros activos do PS, espera-se a abertura e o debate, o aproximar das questões europeias aos cidadãos portugueses e acima de tudo, que se mantenha fiel aos seus princípios de sensibilidade social, de combate à exclusão, com um grande punho contra o liberalismo e conservadorismo, defendendo políticas económicas keynesianas e ainda os interesses sociais, aproximando os cidadãos às estruturas associativas e partidárias através da Educação.

 

O PS para se tornar contemporâneo, tem de absorver as gerações mais diplomadas de sempre e contar com toda esta enchente de qualificações traduzida em propostas para o gabinete de estudos. Precisamos de um PS activo em todas as circunstâncias e secções, mas no qual ao contrário de outros, não se fale em sede de poder, mas sim em sede de fazer o socialismo vencer.

 

                                                                                                                                                                        

Da série de artigos “O Meu PS”, escritos por amigos, militantes da Juventude Socialista e/ou do Partido Socialista, que acederam ao nosso convite para reflectirem sobre o presente e futuro do PS.

André Lopes é militante da Juventude Socialista de Vila do Conde e Coordenador do Núcleo de Estudantes Socialistas do Instituto Superior de Engenharia do Porto.

Anúncios