O que ficou do Congresso

 

 

O XVIII Congresso do Partido Socialista levou a reunião magna do nosso Partido à cidade de Braga no fim-de-semana passado. Prometeu-se um novo ciclo e virou-se uma página. Assim foi, como em tudo na vida, ou, como reduz Saramago numa única frase: “O fim duma viagem é apenas o começo de outra. O mesmo ocorre com as organizações políticas. O fia “viagem” marca o início de uma outra ou, utilizando a expressão que agora é usual, começamos uma nova narrativa.

 

Demos alguns sinais ao país desse novo ciclo, tais como a eleição de Maria de Belém para o cargo de Presidente do Partido Socialista. Alguém com um reforçado pensamento humanista e que dá garantias de um exercício competente das funções para que foi eleita.

 

Anunciámos que “As pessoas estão primeiro”, repescando, quase ipsis verbis, um slogan de António Guterres e dando a entender que um maior pendor humanista marcará a acção política do Partido Socialista.

 

Mas o Partido Socialista mostrou, igualmente, ser um partido que está disposto a discutir grandes temas da sociedade e cujos debates são prementes. Foi com este espírito que quatro módulos de debate ocuparam a tarde de sexta-feira, antes do início dos trabalhos. A Europa, o combate à Corrupção, a modernização do Partido e o Emprego foram os temas escalpelizados pelos socialistas, dada a importância que têm nas sociedades portuguesa e europeia. Em particular, a relevância que foi dada ao combate à corrupção e o retomar deste assunto mereceu grados elogios, sobretudo na imprensa. É um combate urgente.

 

O novo Secretário-Geral do Partido Socialista, António José Seguro, nas suas intervenções em dois momentos distintos tocou pontos fortes como a necessidade de um Código de Ética para os candidatos que concorram nas listas do Partido Socialista, colocou em cima da mesa propostas concretas de medidas alternativas face às que o actual governo está a tomar, chamou a atenção para a necessidade de promover o crescimento económico e fomentar o emprego. Clamou por mais e melhor Europa. Falou para dentro do Partido mas também para o seu exterior e assumiu que o seu desígnio é ser o próximo Primeiro-Ministro de Portugal.

 

Mas há que realçar o surgimento deste Código de Ética também no âmbito dos sinais transmitidos, talvez inspirado pelo grande tribuno José Estêvão quando afirmou “O exemplo vale mais do que as máximas e as doutrinas.”.

 

Acresce que este congresso foi palco suficiente para mais intervenientes políticos. Destaque-se o regresso de Mário Soares a um congresso socialista, 25 anos depois de ter participado no último.

 

Do mesmo modo, foi também neste congresso que Pedro Nuno Santos, num conciso mas precioso discurso que teve imenso eco nas redes sociais, demonstrou de forma cabal que, ao contrário do que os defensores do pragmatismo político defendem, as ideologias políticas não desapareceram. Até aqueles que ousaram decretar o fim da história (F. Fukuyama) foram forçados a recuar nessa sua posição de princípio. As ideologias não estão mortas, estão bem vivas. E, seguindo o repto de Pedro Nuno Santos, a Esquerda tem de voltar a ganhar à Direita em termos ideológicos, desmistificando, desde logo, uma série de ideias que hoje são dadas como verdades comummente aceites.

 

Por fim, aqui, no Aurora do Porto, vamos procurar sentir o pulso dos jovens socialistas que tiveram a amabilidade de aceitar o repto por nós lançado. Irão discorrer sobre aquilo que desejam ou antevêem para o Partido num conjunto de textos designado “O Meu PS”. Será uma reunião de textos heterogéneos porque assim o desejámos. Não queremos o pensamento único, queremos a diversidade. Para atingir este objectivo socorremo-nos de camaradas nossos com percursos, sensibilidades e responsabilidades diferentes para que a nossa amostra sejabastante abrangente. Esperemos que esse ciclo e o consequente diálogo sejam proveitosos.

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