Os velhos rostos do conservadorismo europeu – Nicolas Sarkozy

 

Caros amigos, depois de espiolhar a biografia da Dama Alemã, Angel Merkel, achei que não existia outra alternativa que não bisbilhotar o Príncipe de Andorra, Nicolas Sárkozy. O Presidente Francês é hoje um dos principais rostos desta Europa em crise. Aquilo que todos sabemos é particularmente óbvio e público, o figurão é tratado pelos franceses por Sarko e é famoso pela sua vaidade. Tem tendência em vincar uma imagem jovial, quase de um metrosexual, apesar dos seus 56 anos. Cabelo ainda negro, penteado para trás, olhos caídos, mas penetrantes, e recém-casado com uma ex-top model, com quem vai em breve ter um filho, o mediático e poderoso Sarkozy deixa adivinhar que o seu passado indicará um percurso pessoal e político intrincado.

 

Pois bem, Sarkosy nasceu em 1955, filho de Pai húngaro, (o senhor Sarkozy Pai, pertencia à nobreza que a invasão soviética obrigou a um exílio forçado para França) e de Mãe francesa, uma judia convertida ao catolicismo que, por força da necessidade, estudou direito para sustentar os três filhos após o divórcio com o progenitor de Nicolas Sarkozy. Por essa razão, que entendo até honrosa, a mãe é a grande referência pessoal e familiar do presidente Francês, pois a sua
relação com o Pai tornou-se fria e distante, já que a participação do patriarca na educação de Sarkozy e dos seus irmãos, foi aparentemente inexistente.

 

Nicolas Sarkozy foi educado no contexto de uma família cristã e assume com fulgor o seu catolicismo mas, apesar disso, em França protagonizou umas estórias curiosas em torno da sua vida pessoal, nomeadamente com a primeira mulher Cecília, onde as infidelidades dele com uma Jornalista do Le Figaro eram correspondidas com as pouco recatadas escapadelas dela com um publicitário conhecido. Divorciaram-se, evidentemente, pois tinham um típico casamento de fachada motivado pela carreira política dele. Em 2007, já como Presidente da nação francesa, Nicolas Sarkozy protagonizou uma novela cor-de-rosa com a modelo e (quase) cantora de origem italiana, Carla Bruni, que culminou em casamento, em muito mediatismo. Na verdade a parelha sobrevive 4 anos volvidos e este ano dará também um filhote ao presidencial casal.

 

Bom, mas falemos de política, a sua actividade iniciou-se na sua cidade Natal Neuily-sur-Seine, um subúrbio Parisiense, considerado de zona rica, tendo sido eleito vereador em 1977 e, seis anos, eleito Presidente de Câmara (Maire) onde se manteve 19 anos. A questão começa aqui, Sarkozy absorveu o conceito de acumulação de cargos. Entrou pela primeira vez para o governo em 1993, ainda no mandato do presidente Miterrand, como ministro do orçamento e porta-voz do então Primeiro-ministro, Eduard Balladur. Mais tarde, em 2002, depois da viória de Jacques Chirac regressa como ministro do
interior e, depois, como ministro das finanças em 2004. Quando o partido UMP o elegeu no final de 2004 como líder ele saiu do governo, mas voltou em 2005 a pedido de Jacques Chirac como ministro de Estado, Interior e desenvolvimento regional.

 

Assim, em 2006, o poderoso Nicolas acumulava os cargos de ministro, de presidente do conselho geral do departamento dos concelhos (comunas) do Alto do Sena, conselheiro municipal de Neuilly-sur-Seine, sua cidade-natal e ainda Presidente do UMP, partido que o viria a eleger. Este partido foi criado para as eleições presidenciais e legislativas de 2002 e apareceu com a designação “Union pour une majorité présidentielle”. Em boa verdade o UMP constitui essencialmente o partido de Jacques Chirac e sucede ao RPR que era também um partido de inspiração Gaulista (ala direita), com os republicanos e os liberais.

 

O resto da história é mais recente e a qual, ainda todos devem estar lembrados, foi o candidato às eleições presidenciais de 2007 e ganhou na segunda volta a Ségolène Royal, na minha opinião, à custa da extrema direita francesa, que no primeiro “round” teve um resultado preocupante elevado. Tornou-se assim Presidente da França, cargo que assumiu em Maio de 2007. Depois disso viveu bastante do mediatismo que criou em torno da sua figura pessoal e política e de uma cuidada imagem que chegou a roçar o ridículo, como é exemplo as suas preferências pelos sapatos de tacão para não ficar baixinho ao lado da belíssima Carla Bruni. Aquela fotografia onde dá uma entrevista em cima de uma caixa é hilariante.

 

Agora, anda por aí, armado em dono da Europa, como na ultima conferência de imprensa que deu em conjunto com Angela Merkel, ditando as regras do controlo constitucional do deficite nos paises Europeus, tentando retardar as “eurobonds”.

 

Felizmente as sondagens dizem-nos que pode perder, apesar do terramoto que Strauss-Khan provocou no Partido Socialista Francês. Simultaneamente, o caso da herdeira do grupo L’Oréal, Liliane Bettencourt, fez reaparecer as acusações de financiamento político ilegal e espionagem ilícita das secretas francesas, documentados no livro “Sarkozy m’a tuer”, de dois jornalistas do Le Monde. Nicolas Sarkozy, é acusado de ter recebido milhões de euros na campanha eleitoral das presidenciais.

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