O Dr. Luís Filipe “às vezes”…

Li ontem, no JN, uma notícia intitulada “Menezes exorta PSD a responsabilizar PS por situação de pré-bancarrota”. Antes da minha análise ao conteúdo da notícia, permitam-me que enumere algumas das pérolas demagógicas com que Luís Filipe Menezes nos brinda:

a) “Este esforço colossal, este sofrimento colossal, é da incompetência colossal de governos do PS durante 15 anos. É essa a factura que estamos a pagar”.

b) “Há 15 anos o País tinha contas públicas enxutas, tinha uma dívida externa apresentável e vinha de um ciclo de 50 anos em que foi o país do mundo com maior crescimento económico”.

c) “Para Menezes, o partido agora liderado por António José Seguro (PS) devia ter um certo período de nojo e algum pudor nas declarações que faz.”

Vejamos:

Luís Filipe Menezes (doravante LFM) fala nos últimos 15 anos de governação – posteriores, portanto, a 1995/1996 -, cuja responsabilidade atribui, em exclusivo, ao PS. Esquece, assim, os governos encabeçados por Durão Barroso e Santana Lopes, entre 2002 e 2005, suportados pela maioria PSD/CDS. A isto se chama “desonestidade intelectual” e “debilidade matemática” ao nível do ensino básico. Pode ser que o Ministro Crato – aficionado da matéria – atente nas palavras de LFM e perceba o absurdo dos cortes cegos que propõe na educação.

Curiosamente, Durão Barroso (PSD), que foi Primeiro-ministro entre 2002 e 2004, recusa quaisquer responsabilidades pela actual situação do País, afirmando que tudo estava “normal” quando saiu para a Comissão Europeia: http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=94&did=161364

Então, mas o período da governação de Durão Barroso não se compreende nos “tais” 15 anos de que fala LFM? Não deveria, o ainda Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, ter algum pudor e tento nas declarações que faz? É que os factos e os seus próprios “companheiros” contradizem as suas “brilhantes” conclusões.

Sou suficientemente sério para admitir que possa ter havido erros nos últimos 5/6 anos de governação do PS, mas só por má fé se pode tentar culpar José Sócrates, em exclusivo, pelas dificuldades que atravessamos, ignorando o contexto internacional que precipitou a crise. A isto se chama “incoerência” e “aproveitamento político”!

Já quanto à dívida da Madeira, não há grandes dúvidas sobre o seu responsável. Alberto João Jardim – esse vergonhoso personagem da política portuguesa, eleito nas listas do PSD – é Presidente do Governo Regional desde 1978. Conforme bem referiu Menezes: “Este esforço colossal, este sofrimento colossal, é da incompetência colossal de governos do PSD Madeira, durante 33 anos.” – Ou será que não disse? Pois é! A visão de LFM não alcança longe o suficiente para ver a ilha governada, há tantos anos, por um militante do seu partido, que incumpriu intencionalmente a lei vigente, levando à aflição que lá se vive e que é do conhecimento público.

Propor ao PS um período de nojo é tentar ferir a democracia! O Partido Socialista tem o dever de se insurgir contra medidas gravosas para os portugueses, adoptadas pelo governo, sempre que não se revelem essenciais. É bom que não tentem aproveitar o momento difícil que Portugal atravessa para cumprir o velho sonho de “suspender a democracia”. O PS não o permitirá, porque tem neste momento a responsabilidade acrescida de zelar para que não seja ultrapassado o limite dos sacrifícios que se pode pedir aos portugueses. Se o Presidente da República deixou cair essa bandeira após a eleição de Passos Coelho, haja quem a erga sem receios ou calculismos!

Menezes pisca o olho à Câmara Municipal do Porto, procurando disfarçar que deixa a Câmara de Gaia como uma das autarquias mais endividadas do País. É fácil fazer obra e viver à grande, como fazem Menezes e Jardim… Difícil é pagar a dívida contraída! Quem aspira a presidência da CMP, não pode ser irresponsável e ceder a tentações demagógicas e populistas.

Luís Filipe Menezes, como tantos outros, é incapaz de ser justo, optando por uma avaliação mesquinha, incompleta, tendenciosa e oportunista dos motivos que nos conduziram ao estado em que nos encontramos. Enquanto faltar seriedade a alguns agentes políticos, Portugal não progredirá!

O Dr. Luís Filipe, “às vezes” não olha para o próprio umbigo e opta pela “contra-informação”. Definitivamente, não é este o Presidente que quero para a minha cidade… porque é mais do mesmo, ou pior…

Advertisements