Angela Merkel: O Perfil

 

A Direita vai ao leme do Velho Continente, liderada por Angela Merkel e Nicolas Sarkosy, que se julgam seus proprietários. Adicionem-se Silvio Berlusconi, que se considera acima da Lei mesmo quando se trata, na TV, de falar com despudor das suas relações com jovens beldades. Para compensar, ou melhor para não compensar, senta-se no número 10 de Downing Street o conservador David Cameron, um dos mais frágeis primeiros-ministros de sempre do Reino Unido. Pergunto-me, será que nós Europeus sabemos quem nos comanda?

 

Por essa razão vale a pena fazer o circuito pela breve, e necessariamente sumária, biografia de algumas destas personagens.

 

Começo por falar da Chanceler Alemã, Angela Merkel, a líder do País mais desenvolvido da Europa. Merkel, reconhecida pelas suas ideias políticas conservadoras, nasceu na Alemanha de Leste e entrou na política com o desmoronamento do bloco dos Países comunistas. De raízes Luteranas, filha de um Pastor Protestante, lidera a União Democrática Cristã, CDU, o partido da direita alemã que, até ao seu mandato, fora dominado essencialmente por homens oriundos da Alemanha Ocidental e de educação Católica. Apesar das resistências, Merkel, ambiciosa e de sorriso fácil, mantendo, mesmo após o divórcio, o apelido do ex-marido, Ulrich Merkel, conseguiu conquistar o partido em 2005, à segunda tentativa, depois de, em 2002, ter perdido a liderança para Edmund Stoiber.

 

No seu currículo político, possuía já uma passagem pelo governo do Chanceler Helmut Khol, nos idos anos 90, como ministra para a Mulher e Juventude e, mais tarde, ministra do Ambiente e Segurança Nuclear.

 

Nós, Portugueses, poderíamos ser tentados a traçar um paralelismo com a nossa conhecida Manuela Ferreira Leite. Mas a diferença de Merkel para a ex-ministra de Cavaco Silva, não reside só numa presença mais carismática. Ao contrário de Ferreira Leite, Merkel conseguiu derrotar, em 2005, o governante em funções, Gerhard Schröder, do SPD (partido social democrata alemão, pertencente à Internacional Socialista). Mas venceu à tangente, não alcançando uma maioria para formar um governo. Foi necessária uma coligação atípica entre a sua conservadora CDU e o socialista SPD. Assim se deu início ao consulado Merkel, notabilizado por ser o primeiro governo na História da Alemanha a ser conduzido por uma mulher.

 

No seu primeiro mandato, Merkel procurou ser discreta, protegendo uma boa imagem pessoal e, apesar da crise, da travagem económica da Alemanha, com a recessão e o aumento do desemprego, foi bem avaliada pela população, prometendo fortes reformas económicas. Igualmente, beneficiou de uma Esquerda muita dividida, entre os Verdes opondo-se à Energia Nuclear em período de crise e o SPD, parceiro de governo, a defender a criação de salários mínimos em período de recessão. Merkel argumentou sobre uma aparente não urgência de reformas económicas à qual a larga coligação de bloco central também não permitia condições ideais.

 

Nas eleições de Setembro 2009, enfrentou Frank-Walter Steinmeier, o candidato do SPD, derrotando-o, conquistando a maioria dos votos e formando nova coligação com o seu partido, a CDU, a CSU e o FDP.

 

Sendo a CSU, a União Social Cristã. Basicamente, a CDU da Baviera, ou o partido irmão da CDU, com uma presença marcadamente regional. E o FDP, um pequeno partido de inspiração liberal, que se tem mantido no poder graças a uma inteligente estratégia de coligações. Foi formado no pós-II Guerra, na sua maioria por políticos remanescentes da República de Weimar. Apesar da sua predilecção pela liberdade individual em detrimento do colectivo, o FDP adoptou uma linha nacional-conservadora e tornou-se um abrigo para antigos funcionários e militares nazis. A partir dos anos 1980, tornou-se um partido paladino do liberalismo económico, da desregulação de mercados e privatizações.

 

À frente desta tropa de direita, Merkel venceu o segundo mandato e o resto é o que sabemos, vestiu a fatiota da governante austera, debaixo da máscara de progressista em questões sociais, nomeadamente na sua posição favorável à IGV e à igualdade de género. Por outro lado, opõe-se à entrada da Turquia na União Europeia e defendeu entusiasticamente a invasão do Iraque em 2003. Defende ainda políticas de liberalização económica que, até no seu partido, são consideradas extraordinariamente neo-liberais. Trata a Europa em função dos seus calendários eleitorais e, coligada com Sarkosy, manietou a gestão da Comissão Europeia, desrespeitando as responsabilidades de Durão Barroso. Chegando a tal ponto que Helmut Kholl, o seu Pai político, alegadamente terá sugerido: “Está a destruir a minha Europa” (notícia do Der Spiegel, depois desmentida).

 

Merkel já anunciou que vai concorrer às eleições em 2013, candidatando-se a um terceiro mandato.

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