A outra face da moeda

 

Muito se tem escrito, e comentado, acerca do futuro da Europa. Nos meios de comunicação social, tantos são os especialistas que emitem a sua opinião, como os putativos entendidos na matéria, que se tentam transformar em opinion-makers. A Aurora, sempre atenta à actualidade, não se tem alheado desta discussão. No meu último post, chamei à atenção para a importância do papel que o novo líder do Partido Socialista (sabemos agora que se trata de António José Seguro) terá na construção do projecto Europeu, que vem sendo adiada há duas décadas. O Frederico Guilherme tem analisado, com detalhe, aqueles que poderão ser os Governantes do futuro, nos principais países Europeus. Todavia, é importante não esquecer “a outra face da moeda”, que, infelizmente, deu um sinal da sua força, quando no passado dia 22 de Julho, um fundamentalista político-religioso assassinou, brutalmente, 76 Seres Humanos inocentes.

 

Na revista Visão, da semana passada, o Dr. Boaventura Sousa Santos afirmou algo, com o qual concordo em absoluto: “Chegou o momento de decidirmos de que lado é que estamos, pode haver uma alternativa autoritária, até nacionalista, e uma alternativa democrática, federalista, Europeia”. A ressaca das grandes crises económicas favorece a adesão a discursos populistas, nacionalistas e xenófobos. A História encarrega-se de nos demonstrar tal facto. Assim sendo, não devemos ser indiferentes a esta nova vaga que ameaça corroer o espírito Europeu, e portanto parece-me importante que a Aurora não deixe de assinalar este fenómeno. Falo da vaga da extrema-direita Europeia.

 

Desde logo, devemos começar por prestar atenção ao exemplo que vem da Suíça. Com as eleições Federais à porta (acontecem a 23 de Outubro de 2011), é grande a expectativa para ver o desempenho da União Democrática do Centro, e do seu candidato Toni Brunner. Este fazendeiro Suíço, que se tornou no mais novo membro da história do Parlamento do seu País, conseguiu obter nas últimas eleições Federais, em 2007, 28,9% dos votos, o melhor resultado de sempre para um partido político na Suíça desde 1919. Resultado este que se deveu em boa parte a uma mensagem de cunho social, conquistando nas zonas urbanas, uma parte do eleitorado tradicional do Partido Socialista. Quais serão os frutos, que este Partido colherá, de um discurso anti-Europeu, e anti-imigração, baseado na defesa da identidade Nacional Suíça?

 

“Entristece-me ainda mais saber que esta pessoa já esteve conosco”. Foram estas as palavras de Siv Jensen, presidente do Partido do Progresso Norueguês, após a carnificina Humana levada a cabo em Utoya e na sede do governo Norueguês. A pessoa a que se referia era, nem mais nem menos, do que o terrorista que acabara de cometer uma das maiores barbáries contra a Humanidade, e que fora militante do partido ao qual preside. Partido este, que nas eleições legislativas de 2009 obteve 22,9% dos votos, tornando-se assim o principal partido da oposição. As principais bandeiras pelas quais “os liberalistas” se batem prendem-se com uma maior desregulamentação da economia, com o estabelecimento de limites mais restritos à imigração, e com um controle mais rigoroso das ajudas governamentais aos países em desenvolvimento.

 

Em Abril passado, o resgate financeiro a Portugal esteve muito perto de não se concretizar. Isto, porque o Partido dos Verdadeiros Finlandeses, liderado por Timo Soini, tinha hipóteses de vencer a trigésima-sexta eleição legislativa do País. Tal acabou por não acontecer! Todavia, este partido de eurocépticos obteve 560 075 votos, uma percentagem de 19%. Resultado este que representou uma subida de 15% em relação às eleições legislativas de 2007 e que deixou os “Verdadeiros Finlandeses” a apenas 1,4% do partido vencedor. As propostas deste partido extermista incluíam o abandono do Euro, a independência face à União Europeia, uma política mais dura para com os refugiados, bem como o abandono do Sueco, enquanto língua de ensino obrigatório nas escolas, apesar de ser um idioma oficial do País.

 

Poderíamos abordar uma dezena de outros casos, como aqueles que nos chegam da Áustria, Hungria, Holanda, Dinamarca, França, Bulgária, Itália, Bélgica, Suécia e Eslováquia. Contudo, o que importa reter é que este fenómeno tem conhecido uma expansão nos últimos anos e, caso não haja uma resposta firme e audaz por parte da União Europeia, este crescimento pode atingir níveis catastróficos para o bem-estar da sociedade Mundial. Como costuma dizer o Frederico Guilherme: “Portugal e a Europa precisam de uma nova vaga de políticos Humanistas”. E eu acrescento que, certamente, será esse o caminho da evolução. Trilhemo-lo e construamos uma verdadeira Europa!

Anúncios