“Porque o medo não nos assiste!”

É hora de fazer um balanço, não só do resultado da eleição para Secretário-geral do PS, mas igualmente da forma como decorreu a respectiva campanha. António José Seguro venceu com cerca de 68% dos votos, contra 32% de Francisco Assis. Já na eleição dos delegados ao Congresso, a vantagem é ainda mais notória, tendo as listas de Seguro eleito 1.346 delegados, contra 511 de Francisco Assis, num total de 1.857 delegados.

António José Seguro terá vencido em todas as Federações do País, restando apenas dúvidas quanto à Federação do Porto, onde ambas as candidaturas reivindicam vitórias por margens mínimas (6 e 10 votos). “Até tu, Federação do Porto!” – aquela em que, pelas previsões do Professor Karamba, Assis teria – e passo a citar – “Uma vitória esmagadora!”

Fica a lição: quem decide em última instância são, sempre, os militantes de base e ninguém pode nem deve fazer juízos de prognose, julgando que estes são incapazes de pensar pela sua cabeça. Se os há que são fantoches, também há quem esteja na política com convicções e privilegie a força das ideias à ideia da força!

Apesar de tudo, destaco a forma relativamente ordeira como decorreu a campanha e os bons debates com que nos presentearam ambos os candidatos, nomeadamente o que decorreu no “Hotel Sheraton”, no Porto. Concorde-se mais com as propostas de um ou outro, identifiquemo-nos mais com um ou outro, o certo é que ambos foram candidatos dignos e, sinceramente, a falta de pluralidade que se vivia no PS foi algo que sempre me angustiou. Por isso, um bem-haja a Francisco Assis e a António José Seguro pela coragem que demonstraram na defesa daquilo em que acreditam! Estas, sim, são posturas que “honram o Partido Socialista”…

Começa o “Novo Ciclo”, um ciclo que deve fazer-se com novos protagonistas – exceptuando os que sempre demonstraram valor político, intelectual e moral para exercer os seus cargos… Porque muitos dos velhos protagonistas, não o são apenas na idade, mas na forma de encarar a política e de pensar o País e o partido.

Seguro pode e deve rodear-se dos melhores e mais honestos quadros do PS (como, por exemplo, Francisco Assis), para construir uma alternativa ao governo ultraliberal que decide os destinos de Portugal. O povo precisa de um PS forte, capaz de denunciar excessos, de defender os mais básicos direitos dos cidadãos e pronto para assumir as suas responsabilidades, enquanto maior partido político português (que é!)

Impõe-se a Seguro que repudie a mediocridade! O novo líder do PS tem a obrigação moral de dar uma oportunidade a todos os que lutam por um País melhor, que só pode ser construído com um PS melhor. Não ceder a tentações eleitoralistas, tanto interna como externamente, privilegiar o mérito e devolver a credibilidade ao PS, são as principais tarefas que lhe cabem.

Muitos socialistas carregam, há anos, o fardo das suas convicções. Os que trabalharam para este “novo ciclo” sempre apreciaram a postura de AJS, na defesa inabalável das suas bandeiras e viram nele a “pessoa certa” para partilharem as suas angústias. Alguns não aguentam mais caminhadas com tamanha carga, pelo que Seguro tem nas suas mãos, não só o futuro do Partido Socialista, mas a esperança de tantos e tantas idealistas… Faço votos que seja suficientemente forte para carregar, daqui em diante, essa responsabilidade. Cá estaremos para o ajudar nessa árdua tarefa, porque o “medo é uma coisa que a nós não nos assiste!”

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