O Tempo da Resposta

 

António José Martins Seguro, 49 anos, natural de Penamacor. Francisco José Pereira de Assis Miranda, 3 anos mais novo, nascido no mesmo concelho que Amadeo Souza Cardoso. Um destes Homens será o oitavo Secretário-Geral do Partido Socialista. Ambos têm suscitado declarações apaixonadas, discussões acaloradas, e até mesmo exageros passionais por parte de diversos militantes. Eu, confesso que quando os dois se assumiram como candidatos, não me senti “apaixonado, como num amor à primeira vista”. Todavia, sou apologista das segundas oportunidades, e desse modo resolvi acompanhar com alguma proximidade o processo eleitoral. Senti necessidade de compreender as ideias que tinham para o Partido, para o País, para a Europa. Procurei encontrar as clivagens existentes entre ambos, o que os separa, e o que os aproxima, do legado deixado pelos anteriores Secretários-Gerais. Pensei que só assim poderia tomar uma posição, só assim poderia escolher o militante que, no meu entender, representasse a melhor solução para o futuro do PS. Marquei presença na sessão de apresentação de ambos aos militantes do distrito do Porto, assim como estive no debate da Federação Distrital. Assisti em casa ao debate televisivo. Li e reli notícias de jornais, bem como comentários notáveis, inteligentes, perspicazes, quer nas redes sociais, quer na blogosfera, onde pontifica esta nobre e sábia Aurora. E se há certeza com que fiquei, é que discordo dos que achavam que esta se apresenta como “uma eleição de menor importância”. Não sei se o próximo Secretário-Geral será o candidato socialista, nas legislativas que virão. Aquilo em que acredito, é que o próximo líder do PS terá um papel decisivo na resposta aos importantes desafios, Europeus e Nacionais, que a conjuntura coloca. Desafios esses que têm que ser resolvidos com urgência, e que exigem uma resposta firme e audaz, quer dos socialistas Portugueses, quer dos socialistas Europeus.

 

O último debate da campanha dividiu-se em quatro temas, que no meu entender marcarão a agenda política nos próximos tempos: a situação Nacional, a conjuntura Europeia, a reforma administrativa e das leis eleitorais, e o interior do Partido. Em quase todas as matérias, o que se encontra é uma convergência entre ambos. Os dois candidatos pretendem que o PS seja uma oposição responsável; que defina bem as suas diferenças ideológicas face ao programa do Governo; que recuse o acrescento de austeridade, à austeridade imposta pela “Troika”; que tenha um papel activo na revitalização do Projecto Europeu; que se empenhe no sentido da Regionalização, e na introdução dos círculos uninominais. Não fossem pequenas divergências pontuais na forma de realizar estas matérias, poder-se-ia mesmo dizer que “ambos estariam afinados, caso fizessem parte do mesmo coro”. A proposta que, realmente, separa António José Seguro de Francisco Assis prende-se com a realização de eleições primárias. Seguro defende que estas se realizem, e sejam abertas exclusivamente aos militantes, e Assis pretende que os simpatizantes também possam votar na eleição dos candidatos socialistas. Mas até nos pressupostos que fundamentam a importância de se criar estas eleições, ambos demonstram uma certa concordância. De formas distintas, ambos revelam a percepção de que o PS tem que “se abrir à sociedade”; tem que dar lugar a um debate interno mais amplo; tem que pôr termo a dinâmicas obscuras que marcam a vida interna do Partido. Não se pense que quero com isto dizer que estamos perante dois candidatos siameses! Logicamente que apresentam diferenças de estilos, e de formas de estar na Política (diferenças essas que até levaram Francisco Assis a criticar a “Política de afectos” proposta por António José Seguro).

 

Não há, todavia, nesta disputa, clivagens marcadamente ideológicas, como, por exemplo, aconteceu quando Manuel Alegre enfrentou José Sócrates, em 2004, ou quando António Guterres e Jorge Sampaio disputaram a liderança do Partido, em 1992. Nas ideias, muito mais é o que une Francisco Assis e António José Seguro, do aquilo que os separa. O que não quer dizer que na acção, as coisas aconteçam da mesma forma.

 

O que pretendo concluir com este texto é que os próximo tempos exigem uma grande capacidade de reinvenção do PS! É necessário que o Partido funcione melhor internamente, sendo propulsor de mais debate e de melhor discussão ideológica. É preciso que os militantes sejam capazes de olhar para os últimos anos de Governação, fazendo o balanço das suas falhas e das suas virtudes, de forma a concluírem o que devem ser políticas socialistas nos tempos que correm, mediante a conjuntura com que nos confrontamos. É obrigatório que o nosso Partido saiba compreender a Europa, e se empenhe com afinco na “reconstrução do sonho Europeu”. E tudo isto só será possível se no mesmo barco navegarem António José Seguro, Francisco Assis, Eduardo Ferro Rodrigues, Manuel Alegre, o camarada Paulo de Valongo do Vouga, a camarada Mariana de Rio de Mouro, bem como todos os militantes que fazem parte desta enorme família socialista. Não terão todos que concordar “na forma como se rema”. Contudo, é importante que todos remem no sentido de um Partido Socialista mais forte, mais próximo das Pessoas, da rua, da essência que sempre lhe deu consistência, e consubstanciou a sua existência. Um Partido Socialista plural, capaz de responder aos desafios de hoje, preparado para ser Governo e desenvolver o País, quando os Portugueses assim entenderem. Por todas estas razões, ganhe quem ganhar, o meu sincero desejo é que ganhe o PS, enquanto Partido unido, e espaço de discussão livre e democrática, porque com isso, naturalmente, ganhará Portugal.

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