É urgente a coerência!

A eleição para Secretário-Geral do PS está à porta. Como sabem, os dois candidatos são António José Seguro (doravante AJS) e Francisco Assis (doravante FA). Esta disputa é, no meu entender, das mais importantes da história do partido. Poderá significar uma mudança de postura e de protagonistas, capaz de trazer outra dignidade ao funcionamento interno do PS e até mesmo à política nacional, num momento crucial para o País.

Não obstante apoiar AJS – pelas razões que expus num texto anterior denominado “Vou Seguro!” -, sempre manifestei a minha admiração pelo comportamento de FA relativamente ao “saco azul” de Felgueiras, quando era Presidente da Federação Distrital do PS/Porto. Pena que já não haja, a nível distrital e concelhio, a honestidade intelectual (e não só…) de outros tempos.

Sucede que, há dias, li declarações de FA que muito me surpreenderam, não só pela visão acanhada que demonstra, mas ainda pela sua falta de coerência. O candidato FA criticou a “cultura de afectos” de AJS: http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1904354

Se há quem defenda que o mérito deve prevalecer sobre qualquer outra forma de escolha dos responsáveis políticos, esse alguém sou eu! No entanto, querer dispensar os afectos da vida política é inconsciente e impraticável.

A escolha das pessoas nunca poderá basear-se, exclusivamente, no debate de ideias e nas promessas que dele surgem. Porque é fácil propagandear “aos sete ventos” o que se sabe que os outros pretendem ouvir… O difícil é ter a coragem para concretizá-lo! Aí entram os afectos – sentimento de carinho, amizade – que nos levam a depositar em alguém a esperança na execução de um projecto, de um ideal.

Em igualdade de circunstâncias, mais depressa confio num amigo, porque sei que não me falhará, do que num estranho. Lições simples da vida, a que a política não fica alheia…

Todavia, o que mais me surpreende nas declarações de FA é a incoerência. Fui apoiante de José Luís Carneiro à Presidência da Federação Distrital do PS/Porto e estive em muitas das suas iniciativas de campanha. Lembro-me de estar numa iniciativa em Guifões (Matosinhos), na qual FA revelou o seu apoio a José Luís Carneiro. Não me esqueço também da “principal” razão que invocou para o fazer, ou seja, a amizade que os unia e, julgo, continua a unir. O que mudou entretanto? Porque deu FA, naquele momento, especial valor aos afectos e tenta agora desvalorizá-los?

Enfim… com todo o respeito que me merece FA, estas declarações são tão incoerentes quanto demagógicas. É assim tão difícil ser consequente?

Repito o que escrevi num texto anterior: “é com coerência nos comportamentos que se constrói alternativas”. Se ela falta, desde logo, no debate interno, como se pode aspirar a merecer a confiança dos portugueses?

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