É hora da “Meritocracia”!

Por Miguel Castro (membro da Comissão Política Concelhia do PS/Porto)

“A Meritocracia (do latim mereo, merecer, obter) é um sistema de governo ou outra organização que considera o mérito (aptidão) a razão para se atingir determinada posição. Em sentido mais amplo, pode ser considerada uma ideologia. As posições hierárquicas são conquistadas, em tese, com base no merecimento e entre os valores associados estão educação, moral, aptidão específica para determinada atividade.”

Vivemos numa democracia “formal”, em que o mérito é, infelizmente, uma das qualidades menos relevantes para se alcançar determinada posição. Se há quem consiga, com alguma sorte à mistura, granjear o reconhecimento do seu potencial, outros há que são forçados a enfrentar os mais inusitados cenários para marcar a sua posição.

A política é, quer queiramos quer não, um caso paradigmático! Sou ainda pouco experiente no meio, mas suficientemente atento para tomar nota da dinâmica que lhe está subjacente. Numa fase inicial, talvez fruto da minha inocência, colocava a seguinte questão a quem me dava conta da ascensão de determinado indivíduo: “E o tipo tem qualidade?” – Recebia, invariavelmente, a mesma resposta: “Tem o quê? O que ele tem são 30 ou 40 votos…”

Verifica-se uma inversão chocante de valores, que se traduz na seguinte máxima: “Não é eleito quem tem mérito… Tem mérito quem é eleito!” – com as consequências que estão à vista…

Deparando-nos com este cenário deprimente, o que fazer? Há duas opções:

1.ª – Resignarmo-nos, deixando esta área – tão sensível e relevante para as nossas vidas e dos que nos são próximos – entregue à mediocridade.

2.ª – Adaptarmo-nos, jogando com as regras em vigor e procurando alterar o estado de coisas, logo que o estatuto nos permita.

Porque não sou comodista e a minha fé na justiça divina já teve melhores dias, escolho a segunda opção. É a desejável? Claro que não! Mas entre as que me são oferecidas, é a única que poderá possibilitar o surgimento de uma terceira via.

Se não me descansa a justiça divina, motiva-me a crença que a gente de bem, com princípios, ainda é em maior número que os oportunistas sem carácter. Não vos peço “Por amor de Deus”, se seria um contra-senso, mas por amor às vossas “verdadeiras” convicções – e a quem terá, depois de desaparecermos, a árdua tarefa de viver num mundo com as prioridades trocadas – que sejam capazes de ir à luta, com parte de um “Soneto Presente”:

“(…)Aqui ninguém me diz quando me vendo
a não ser os que eu amo os que eu entendo
os que podem ser tanto como eu.

Aqui ninguém me põe a pata em cima
porque é de baixo que me vem acima
a força do lugar que for o meu.”

E se falharem, comprometendo o vosso percurso já previa e minuciosamente delineado? Paciência! “Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar, a gente vai continuar…”

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