Vou Seguro!

Como diria José Sócrates, “derrubaram” o Secretário-geral – sim, porque foi obra do povo e o alegado carácter voluntário é apenas garantia de dignidade – mas levantaram o Partido Socialista!

Ninguém nega a qualidade intelectual dos dois candidatos, já assumidos, àquele cargo. Considero, todavia, que um, mais que outro, significa a ruptura com uma linha de actuação que secou, nos últimos anos, a diferença de pensamento no PS. Fenómeno lamentável, se ninguém nega que foi a tolerância a torná-lo um dos grandes partidos da democracia portuguesa.

Não bastasse ter sido, ao lado de João Cravinho, um dos políticos mais atentos ao fenómeno da corrupção – qual potencial delator indesejado -, António José Seguro tem demonstrado ainda, ao longo destes anos, a abertura de espírito e o desprendimento suficiente para, sendo solidário quando se impõe e só com quem o merece, assumir as posições que entende mais correctas, em determinados momentos, no interesse daqueles por quem foi eleito para a Assembleia da República.

Estou certo que a assunção da sua candidatura, pelo que representa para o “status quo”, fará com que a mediocridade se desdobre em contactos para garantir a sua sobrevivência e diminuir o impacto desta autêntica lança em África.

Embora Francisco Assis seja também um político de grande talento e um tribuno nato, é fácil concluir, atentando aos que começam a rodeá-lo, que significará, ainda que involuntariamente, uma linha de continuidade no PS, com a qual não posso compactuar… Porque sei bem o que quero e o que não quero!

Ontem é sempre o melhor momento para mudar, mas hoje ainda vamos a tempo… É que o tempo tem destas coisas e existe demasiada gente a quem “o relógio parou” há muito.

Já agora, porque hoje é dia de Portugal e das comunidades portuguesas, mas também de Camões, dedico a algumas “Leonores” inquietas, pouco adeptas de “Auroras”, o seguinte poema do mestre Luís Vaz:

“Descalça vai para a fonte

Leonor pela verdura;

Vai fermosa, e não segura (…)”

Miguel Castro

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