Instituir o Serviço Cívico Obrigatório
Com a abolição do serviço militar obrigatório a 19 de Novembro de 2004, Portugal deixou de dispor de um período temporal de exercício da cidadania activa, transversal à origem sócio-económica e geográfica dos seus cidadãos.
O serviço cívico obrigatório é uma tipologia que se destina a cumprir esta lacuna. Prescreve a todos os cidadãos no dealbar da maioridade um leque de opções de trabalho, nas mais diversas áreas da participação cívica, por um período de tempo limitado (por exemplo, na intervenção social, reabilitação urbana, protecção ambiental). É compulsivo, de forma a ser universalizável, mas flexível, para ser adaptado aos diversos interesses e motivações dos jovens cidadãos.
Programas deste género são praticados em vários Países desenvolvidos, como instrumentos determinantes na solidificação do tecido social e capacitação profissional das gerações mais jovens, casos da Alemanha, Áustria, Chipre, Finlândia, Noruega, Suécia e Suíça.
Sou pelo serviço cívico obrigatório, como meio privilegiado pelo qual todos os jovens cidadãos criam e solidificam o seu sentimento de pertença, compromisso e valorização social, conhecem realidades inéditas à sua experiência pessoal e adquirem e aperfeiçoam competências sociais e profissionais.
Na sequência deste post, cujo o conteúdo já tive a oportunidade de “discutir” com o Fred, gostava só de deixar aqui uma pequena curiosidade, que indicia uma certa mudança de mentalidade, que já se verifica no nosso País, no que a esta questão diz respeito. Em conversa com uma amiga minha, que está a fazer o Mestrado de Management, na Universidade Nova de Lisboa, tive conhecimento de uma iniciativa interessante. Na cadeira de Social Entrepreneurship, os estudantes são obrigados a fazer um módulo que consiste numa semana de voluntariado. Voluntariado esse que tanto se pode basear na visita a uma CERCI, como no acompanhamento a pessoas idosas, entre outras iniciativas.
A verdade é que é “um acto isolado”, e que está longe de ser o serviço cívico obrigatório, compulsivo e flexível, proposto pelo Fred. Mas, se começa a ser reconhecido pelo Ensino Superior que os estudantes necessitam de se desenvolver pessoalmente, através da absorção de experiências, inéditas até então, de forma a adquirirem competências sociais e profissionais, isso pode funcionar como um sinal, que é dado ao Estado, de que é essencial a sua obrigatoriedade. O que, na minha opinião, faz todo o sentido! Faz todo o sentido porque, diariamente, tenho contacto com pessoas que demonstram total desconhecimento de realidades, que apesar de não lhes estarem distantes fisicamente, o estão perante os seus olhos.
Para terminar, e dado que é a primeira vez que comento neste blog, parabéns pela iniciativa. Dos que conheço pessoalmente, está reunido um painel muito interessante de bloggers. Dos que não conheço, e tendo em conta o conteúdo dos posts, parece-me que estão em linha com os restantes.
Um abraço