Sobre os Imigrantes no Comício do PS em Évora

A organização de uma mobilização popular para um comício político não constitui facto inédito. As estruturas partidárias promovem e facilitam a deslocação de militantes e simpatizantes às suas iniciativas públicas. Todos os partidos as fazem, mesmo aqueles fora do arco da governabilidade.

Essa prática pode e deve ser discutida. Se faz sentido para as estruturas partidárias despenderem os seus recursos na reunião de grandes multidões. Se faz sentido deslocarem cidadãos de um lugar para outro, a fim de preencherem um espaço físico e garantirem um determinado impacto mediático. Mas isso é uma discussão mais ampla. Agora, inflamar uma histeria nacional em torno de um exemplo específico sobre uma prática corriqueira, só porque os cidadãos mobilizados vestem turbante?

O jornal “i” chegou ao ponto de chamar-lhe “escândalo” (?). Lendo alguns dos relatos jornalísticos, apercebemo-nos de uma série de suposições infundadas sobre práticas ilícitas de angariação, misturadas com presunções xenófobas sobre a consciência e inteligência das pessoas mobilizadas. Não pesando sequer o facto de muitos dos imigrantes afirmarem explicitamente o seu conhecimento e simpatia para com o que estava em causa. Aos olhos de alguns jornalistas e autores de blogues, parece que os homens e mulheres de tez negra são seres infantilizados, incapazes de fazer escolhas em liberdade e consciência. Repetindo, não é digno e irradia xenofobia. 

PS: Obviamente, que se as alegações sobre as promessas de naturalização se revelassem fundamentadas, seriam profundamente desprezíveis e merecedoras de procedimentos judiciais. Mas, de facto, isso não é sugerido em qualquer das declarações televisionadas. Até ver, é pura especulação.

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