Bandeiras

 
 
Todos já terão ouvido, inúmeras vezes, a expressão: “há temas que me são particularmente caros”! Os que julgam ser pacifico o seu sentido, enganam-se! São múltiplas as formas como pode ser entendida, pois se há quem erga bandeiras freneticamente e arrisque pagar o preço pelas suas convicções, outros há que são fãs da “poupança política” e recusam sair da sua “zona de conforto”… Como se houvesse maior conforto do que lutar, sem segundas intenções, por aquilo que nos é “caro”…
 
No Campeonato Europeu de Futebol, em 2004, avistei inúmeras bandeiras de Portugal nas janelas da “Cidade Invicta”, orgulhosamente exibidas, sem a vaidade de quem mostra o seu novo fato, mas antes a fé de quem crê em grandes feitos. Faltam hoje ao Porto essas bandeiras, colocadas à vista de todos, de forma transparente, ainda que com propensão para melindrar uns quantos “estrangeiros”.
 
Falta um rumo para a cidade! Perdoem-me o lugar-comum, mas embora tenha conhecimento do que vai sendo feito, estou longe de perceber para onde vamos. Sou incapaz de atingir o projecto do actual executivo municipal, que, a existir, estará de tal forma “confortável”, que há quem o julgue morto!
 
Permanecendo na sua zona de conforto, Rui Rio venceu as eleições em 2005 e 2009, limitando-se a jogar no erro do adversário. As tão elogiadas intervenções levadas a cabo nos bairros sociais, não merecendo crítica, revelam-se meramente circunstanciais e desconexas de um qualquer projecto, pelo menos, que seja do conhecimento público.
 
A verdade é que, embora desprovido de um conjunto de ideias conducentes a um desenvolvimento sustentável do Concelho, Rui Rio cativa o povo através da propaganda à sua figura de autarca honesto e rigoroso na gestão dos dinheiros da autarquia. Deve começar aqui a luta de quem se lhe opõe! É sem telhados de vidro, com tempo e coerência nos comportamentos, que se constroi alternativas sérias e se anula a vantagem dos adversários.
 
Depois, facilmente se derruba, com “bandeiras”, os políticos acomodados como Rui Rio ou outros idênticos que lhe sucedam. Essas “bandeiras” serão tão mais abrangentes quão maior for o diálogo e a capacidade para colher de cada um os contributos válidos que têm para dar. O sucesso dessas “bandeiras” será proporcional à paixão desinteressada que lhe devota quem as defende… Porque o Porto precisa de políticos que, sem confundir o intérprete, tenham realmente coragem para se bater por temas “que lhes sejam particularmente caros”.
 
Miguel Castro
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